Defensores antes de Defensores

Hoje estreia Defensores, série Netflix-Marvel que une todas as franquias baseadas em gibis da editora-estúdio que surgiram no serviço de streaming. Antes de começar a maratona, decidi relembrar as produções que levaram a ela, procurando uma linha de raciocínio (ou coerência… whatever) que me mostrasse que valeria realmente à pena (ou não) ver mais essa série (fora a Sigourney Weaver, lógico).

DEMOLIDOR – SEASON 1

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Dos produtos Netflix-Marvel, talvez esse seja o mais bem acabado (o que não quer dizer que seja o melhor). Sem perspectivas se sua empreitada iria dar certo, Marvel se utilizou de uma estratégia muito parecida com o primeiro Homem de Ferro: um produto o mais redondo possível que pudesse não somente introduzir o personagem e o universo o qual ele faz parte, mas também servisse como entretenimento sozinho, tendo um arco de histórias claro, direto e conclusivo, por mais que deixasse pontas para uma continuação. O resultado já sabemos: os produtores não tiveram medo de arriscar (Jessica Jones e Luke Cage, a introdução do Justiceiro) e mesmo errar (Iron Fist) depois. O elenco principal, por sinal, com Vincent D’Onofrio, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Vondie Curtis-Hall, Rosario Dawson e Charlie Cox (no papel de Matt Murdock/Demolidor), é uma das mais inestimáveis pérolas da parceria, fazendo seus personagens tão bons (e mesmo melhores, no caso de Deborah e Vincent) que suas versões em papel.

JESSICA JONES – SEASON 1

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Confesso que duvidei um pouco de Jessica Jones. A personagem era pouco conhecida, teve uma bem criticada fase sob a batuta do roteirista BM Bendis e me pareceu meio esquecida depois de ter uma filha com Luke Cage – assim, me perguntei que tipo de história sairia desse caldo. O que eu via como desvantagem, no entanto, se mostrou a maior qualidade: a série bebe de sua fonte original, mas segue numa direção própria. Confia completamente em sua personagem-título – e na atriz que a interpreta – e abraça corajosamente seus temas adultos: relacionamentos abusivos, superação de traumas e amizade – muito disse se deve, principalmente, a sua produtora, Melissa Rosenberg. A série é minha preferida da parceria e, assim como sua antecessora, fecha-se num arco completo, deixando poucas – e até certo ponto, bobas – pontas, o que, particularmente, a faz um produto melhor. Também aqui o elenco é formidável e ter Carrie-Anne Moss dá uma segura elevada no moral numa série bem executada.

LUKE CAGE – SEASON 1

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Uma série linda visualmente: da escolha da paleta de cores, aos cenários “reais”, à fotografia da série, aos figurinos… tudo parece ter sido feito pra inserir o espectador naquele Harlem semi-real. Fora isso, as homenagens à cultura negra americana (dos movimentos sociais e musicais ao cinema das décadas de 1960-1970) permeiam o seriado criando uma ambientação atraente, num tom noir envolvente. O elenco – afiadíssimo, fora o ator principal – dança com desenvoltura na trama cheia de lados opostos e movimentos incertos, com os vilões do programa segurando toda a narrativa com maestria. Não nego que escorrega bastante em seu timming, às vezes parecendo desnecessariamente longa e mesmo redundante, tendo o episódio final mais sofrido nesse processo: adotando um estranho tom pastelão e recheado de diálogos longos e chatos que, não fosse o já citado bom elenco, seriam insuportáveis. Uma análise melhor de Luke Cage pode ser lida aqui.

DEMOLIDOR – SEASON 2

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Sem medo de ser feliz, a Marvel lança a segunda temporada do Diabo de Hell’s Kitchen pronta pra chutar as portas: vários personagens novos, uma trama rocambolicamente gibiesca e fotografia descaradamente chupinhada das páginas de David Mazuchelli, isso, logicamente, sem abandonar o cenário e universo que eles criaram. O que poderia ser um dos melhores passos da editora-produtora, no entanto, mostrou-se uma coleção de tropeços com alguns saltos mortais legais. O primeiro arco focado no Justiceiro segue sem problemas e possui uma conclusão muito boa, passado esse período e com a entrada de Electra, no entanto, tudo meio que desanda: ninjas demais, teorias da conspiração demais, ameaças demais, respostas de menos… a série vira um excesso sem fim, com a clara pressa de se preparar para The Defenders. Não deu outra: resolução de temporada tão boba quanto pode. À época, falei de Demolidor S02 aqui.

PUNHO DE FERRO – SEASON 1

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Sem nenhum medo de fazer errado e com uma pressa em dar um passo mais seguro e direcionado ao que será (ou deve ser) a ameaça de The Defenders (ou pura preguiça mesmo), Netflix-Marvel fazem de Punho de Ferro seu produto mais desagradável. Um protagonista elitista, privilegiado, contraditório e pouco carismático e um conjunto de coadjuvantes esforçados, mas mal direcionados, tornam a série uma tortura televisiva de 50 minutos. A impressão que se tem é que algo importante foi deixado de lado de forma proposital, na intencionalidade de se atingir um objetivo que serve a interesses externos aos acontecimentos da série. A jornada de engrandecimento e retorno de Danny Rand, então, é substituída pelos gritos mimados de um menino rico que consegue tudo o que quer se esperneando – ou colocando uma sacola de grana em cima. Uma pena. Tivesse a série seguido a mesma lógica de Luke Cage e procurado homenagear filmes de kung fu antigos (ou mesmo Karatê Kid, meu Deus), talvez se tivesse um produto mais interessante não somente dentro do MCU-TV, mas por si só, capaz de encontrar um público além dos fãs da parceria.

Agora é conferir The Defenders, série que une esse povo todo e marco para as próximas temporadas desses heróis, e que estreia hoje no streaming. Respondendo a pergunta do começo… vale a pena ver Weaver sempre 🙂

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